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Copy of revista textos introdução

Jose Luiz Belas


Published on December 3, 2014

para muitos, poderá parecer hermética, mas que – aos poucos – começa a fazer sentido, para mim e para ele. Para atender um psicótico é preciso que a gente fique “louco”, mas mantendo a consciência dessa loucura temporária que se vivencia nesse encontro profundo entre pessoas, ao qual damos o nome de psicoterapia. O fundamental nessa terapia, para mim, é a minha crença na capacidade da pessoa para organizar suas experiências, crescer, evoluir, etc... Para que essa capacidade se manifeste é preciso que eu estabeleça com ela um relacionamento humano no qual estejam presentes algumas condições que considero fundamentais. Tais condições poderiam ser descritas da seguinte forma: 1: Eu preciso tentar fortemente, usando toda a sensibilidade que eu tiver, compreender o mundo daquela pessoa, tal como ela o descreve para mim. Penetrar naquele universo desconhecido, confuso, querendo, verdadeiramente, conhecê-lo; 2- Para conseguir entrar no mundo daquela pessoa, é necessário que eu me livre – ao máximo- de qualquer tipo de julgamento e de preconceito. É fundamental que tente evitar que meus valores e que minhas crenças interfiram no que vier a ouvir dela.. Não devo me esquecer que ela é uma OUTRA PESSOA, única, singular; 3- Finalmente, preciso querer estar diante dela, não como um profissional , um técnico, um teórico, mas, sim, como uma pessoa real, um ser humano como qualquer outro, disposto a me mostrar como tal. A qualidade da relação humana, que se estabelece numa terapia com pacientes psiquiátricos, principalmente com psicóticos, é fundamental. Se considerarmos que o psicótico vive num mundo à parte , que fala uma linguagem diferente da que falamos, ser visitado em seu mundo, pelo terapeuta, é uma experiência profundamente emocionante e surpreendente, para ele e para aquele profissional. Um paciente me afirmou: “Hoje, (referindo-se à sessão que acontecia naquele momento) eu posso dizer tudo. Quando sair daqui, não adianta falar. Lá (referindo-se à casa dele), ninguém entende o que eu falo”. Quando atingimos um nível de relacionamento como o descrito acima, observamos que o paciente começa a se arriscar a falar mais de si, e mais, a expressar emoções ligadas ao seu mundo atual. Fala de pessoas e situações do seu hoje. Esse discurso costuma vir acompanhado expressões de sentimentos (raiva, alegria, amor, ódio...). Percebe-se que, naqueles momentos, ele sai do seu mundo isolado e se aproxima de um outro mundo, o da relação real entre duas pessoas. Permite-se abraçar, zangar, sorrir, ponderar, criticar-se, aceitar-se, mostrar-se mais inteiro e em equilíbrio. Talvez, alguns profissionais, que já tenham vivido essa prática, possam compreender melhor o que estou tentando expor. Só resta dizer que: quando escuto, atentamente, meu cliente (psicótico ou não), sem me preocupar com diagnósticos, julgamentos morais, éticos ou outros de qualquer natureza; quando estou ali, com ele, o mais “presente” possível, sendo eu, do modo como sou (sem me esconder atrás